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2 de julho de 2008

falta de visão?

A nova Escola Secundária de Alcácer do Sal tem sido alvo duma atenção especial deste executivo.
Nesse processo, o ministério da educação obrigou o município a aprovar uma carta educativa para o Concelho.
A nova escola será construída com base nas necessidades identificadas nessa carta educativa. Motivo pelo qual fomos ler o documento.
Ficámos preocupados.
Explicamos porquê.

  1. A população do Concelho está a diminuir a um ritmo de 0,16% ao ano. Ou seja, entre 1991 e 2001 a população decresceu de 14.512 para 14.287 indivíduos, o que dá 1,6% em 10 anos.

  2. Estão em construção, na região, vários empreendimentos turísticos de média e grande dimensão. Sabe-se que a população residente não satisfará as suas necessidades de mão-de-obra. Pelo que são esperadas pessoas, vindas de fora, para o preenchimento de muitos dos postos de trabalho. Estas pessoas, ao fixarem-se na região, farão crescer a população activa (para trabalharem cá) e, consequentemente, a população estudantil (seus descendentes).

  3. É necessário formar, localmente, profissionais capazes de responderem às necessidades de trabalho na região. Ou seja, é importante estimular os nossos jovens a estudar, evitando que estes tomem opções com difíceis saídas profissionais.

  4. Pelos mesmos motivos e como um objectivo a médio prazo, é ainda imprescindível estimular, efectivamente, a natalidade. O que nem sequer se ouve falar.

Perante estes factos observamos os dados da carta educativa relativos à Escola Secundária de Alcácer do Sal - ESAS. E o que observamos foi:

A entrada de novos alunos na ESAS tem diminuido a um ritmo muito preocupante - se em 1998 (há 10 anos) havia 210 alunos no 10º ano, em 2005 (último dado disponibilizado) esse número era de apenas 98 alunos! Menos 53%. (ver gráfico com linha de tendência). Enquanto a população total apenas regrediu 1,6% em 10 anos...
Perante tudo isto, o que mostra a carta educativa?
Mostra que, embora os alunos permaneçam (em média) mais tempo na escola (porque reprovam mais) a população escolar da ESAS vai continuar a diminuir! (ver gráfico abaixo). As projecções apresentadas na carta educativa mostram uma Escola Secundária a definhar, a mirrar, ano após ano. Só poderá haver aqui um grande erro. Alguém está enganado na condução dos destinos deste concelho.
Não haverá perguntas a responder, problemas a solucionar, análises a fazer antes de apresentar pacificamente estes números crúeis?
Claro que há. Como há outro caminho a percorrer: o caminho do progresso e do desenvolvimento.
É necessário que os nossos jovens prolonguem os seus estudos pelo menos até ao ensino secundário. Para isso é necessário que a Escola Secundária se torne atractiva e estimulante. E isso é incompatível com as projecções feitas para a população escolar da ESAS.

É necessário entender o motivo pelo qual há cada vez menos alunos a inscreverem-se no 10º ano. Não nos referimos aos que deixam de estudar, mas aos que optam por outras escolas, externas ao concelho. Conhecemos vários. Têm as suas razões. E se nada mudar, muitos outros se lhe juntarão. Se não conseguirmos manter os nossos jovens ligados à nossa terra nesta fase da sua vida, corremos sérios riscos de os perder para sempre, como elementos activos na nossa sociedade local. Com custos elevados. E, ainda por cima, quando temos falta de pessoas qualificadas...

É preciso valorizar a formação das pessoas!

Nós temos, efectivamente, outra opinião. Porque acreditamos que é preciso fazer mais e melhor. O que está ao nosso alcance. Basta querer, saber e lutar por valores que nos dignifiquem a todos.

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NOTA: os dados apresentados foram retirados, sem excepção, da carta educativa.

26 de março de 2008

conversas da rua

Encontramos uma mãe desolada que nos contou a seguinte história, muito recente:
A Escola Pedro Nunes seleccionou os alunos mais distintos na disciplina de Matemática.
O objectivo era participar numa competição a nível nacional, representando Alcácer do Sal.
O local da prova era Braga.
O entusiasmo era muito. O orgulho em representar o Concelho, também.
Foram pedidos apoios para a deslocação.
A Câmara comprometeu-se em assegurar o transporte.
...
À última da hora falhou...mesmo depois de insistentes pedidos.
...
Os alunos e seus acompanhantes ficaram em terra. Não foram a Braga e Alcácer do Sal não foi representada...

O desconsolo foi enorme...
A frustação era imensa...
Ninguém percebeu o motivo para a Câmara não cumprir o seu compromisso.
Quando ainda há bem pouco tempo, o Presidente Paredes falava num projecto bons alunos...integrado num plano dito estratégico...
Foi o mesmo Presidente Paredes que também afirmou recentemente: "não vale a pena prometerem-nos se não querem cumprir e se prometem vão ter de cumprir".

Será que o Presidente não leva a sério as suas próprias palavras? Ou será que as afirmações do Presidente não merecem o respeito dos seus subordinados?
Será esta mais uma promessa não cumprida por uma equipa capaz de governar o mundo?

Será que a mãe do aluno que não foi a Braga representar Alcácer do Sal estava equivocada?

Que estará a acontecer em Alcácer do Sal? Responda você mesmo!

9 de março de 2008

marcha da indignação











Alcácer do Sal esteve representada na Marcha da Indignação em Lisboa. Foi uma participação pequena, atendendo ao número de manifestantes - 100.000. Foi uma participação livre, consciente e responsável dos professores da nossa terra.
Os professores não têm medo de avaliações, conforme alguém tenta fazer crer. Eles, até serem professores, foram avaliados vezes sem conta. E isso nunca foi impeditivo de alcançarem os objectivos propostos. Posteriormente continuaram a ser avaliados, de acordo com os modelos que lhes foram apresentados.
O que os professores não querem é ser avaliados deficientemente e manipulavelmente. Sem regras claras, objectivas e mensuráveis e por pessoas mal habilitadas para o efeito.

Para esclarecer melhor esta questão, apresentamo-vos o relato dum facto real.

A cena passa-se no interior dum estabelecimento de ensino em Alcácer do Sal. Em concreto na sala onde o Conselho Executivo está instalado.
Um elemento do Conselho Executivo solicita a um professor que assine uma lista.
O professor, usando os seus direitos, recusa educadamente assinar tal documento.
Outro elemento do Conselho Executivo, também presente, pede imediatamente o processo individual do professor, de forma a registar a recusa para que conste na sua avaliação.
Isto não é avaliar.
Isto é chantagem.
Aconteceu em Fevereiro de 2008, no interior duma escola de Alcácer do Sal.
Como é possível um sistema de avaliação de pessoas permitir tal atitude?

Muitas, muitas outras histórias nos chegaram aos ouvidos...
Como um professor de trabalhos manuais (agora chama-se outra coisa...) avaliar um colega de educação física...
Ou um professor de geografia avaliar um colega de filosofia e um outro de economia...
Ou um professor de Fisico-Química avaliar um colega de Informática...
Ou ...
Por algum motivo apareceram em Lisboa 100.000 dos 143.000 professores existentes em Portugal.

Infelizmente este problema não se restringe ao sistema de ensino.
Já nos contaram muitas outras histórias de "interessantes" avaliações em curso no nosso Município...
Falaremos delas noutro dia.