17 de outubro de 2009

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

Celebra-se hoje o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

Em Portugal há muito por fazer.
Os números oficiais indicam que 18% da nossa população é pobre.
Mas estão desactualizados.
A realidade é, provavelmente, ainda mais desagradável.
Seja como for, 18% é vergonhoso.


No último ano não faltaram apoios públicos para o sector financeiro.
A banca paga, desde há muitos anos, cerca de 10% de IRC.
O valor cobrado às empresas "comuns" é de 25%...
Mais um apoio dado aos mais favorecidos.
Porquê? Porque é assim no liberalismo económico...
Para a pobreza restaram, e continuam a restar, apenas algumas migalhas.

Os apoios aos mais desfavorecidos, sistematicamente repetidos por Sócrates, abrangem apenas uma pequena faixa de pobres.
Muitos outros ficam de fora.
Sem que isso pareça preocupar Sócrates...
As fileiras dos "novos pobres" engrossam de semana para semana.
O desemprego sobe de mês para mês.
Os empregos precários generalizam-se.


Para resolver o problema, o governo vai lançar obras públicas faraónicas, criando assim emprego.
Obras que vão beneficiar, preferencialmente, as grandes empresas construtoras (repararam na sua reacção quando o aeroporto e o TGV foram postos em causa?).
Mais uma vez, para os mais desfavorecidos ficam as migalhas.
Há quem chame a isto consciência social.


E assim vamos andando, cantando e rindo, neste Portugal pequenininho...
Governado pelo liberalismo económico.
E, ao que parece, assim vamos continuar.


Até quando?

2 comentários:

inquietum disse...

Somos um país de subsidiodependentes. Dos bancos, aos negócios privados que se prospectivam com a "garantia" da facturação ao estado até às múltiplas ipss's, passando pelos clubes de futebol, câmaras e empresas municipais como a EMSUAS e Misericórdias para acabar nos "piolhosos" do rendimento mínimo anda tudo a mamar na mama da meia dúzia que efectivamente produz riqueza e presta serviços relevantes sem comparticipação pública. Veja-se o que está a acontecer aos nossos produtores locais de arroz. Quantos irão "estoirar" até à próxima campanha? Sinceramente nem percebo como é que ainda conseguimos ser um estado independente. Agora que isto a continuar assim não pode ter bom fim, não pode mesmo... O que mais dói é que aos realmente pobres, fragilizados, dependentes e desprotegidos, como os idosos, apenas chegam migalhas, quando chegam... São tão pobres que nem pedir sabem ou podem, coitados. Já não há pachorra para tanta hipocrisia.

sado disse...

inquietum,
não são só os pequenos produtores de arroz, mas todos aqueles que trabalham a terra com a maior das dignidades sem recear o trabalho efectivo, aquele que começa quando o sol nasce e só termina quando o cansaço fala mais alto.
Onde está a voz da nossa agricultura, onde está a voz da nossa produção ( que muitos apelidam de extrema qualidade mas que nada fazem por ela?), onde está a voz dos nossos agricultores???? Onde está? ...

Erradicação da Pobreza???? Claramente utópico....
Trata-se apenas de mais um dia para comemorar, perdão ... reflectir, ... sobre a temática em alguns congrssos, seminários, palestras, etc. (q servem para faltar ao trabalho, conviver, obter um certificado de presença e quem sabe desfilar o ultimo modelito que se comprou) oferecer algumas coisas a determinadas pessoas de interesse e ... soluções nada, nada, nada, ...